segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

MATERIAL SINFRA - A PESQUISA CIENTÍFICA

A diferença entre os trabalhos dos cientistas e o dos estudantes universitários não deveria residir no método, mas nos propósitos. Os cientistas já estão trabalhando com o intuito de promover o avanço da ciência para a Humanidade; os estudantes ainda estão trabalhando para o crescimento de sua ciência. Ambos, porém, devem trabalhar cientificamente. Os estudantes trabalham cientificamente quando realizam pesquisas dentro dos princípios estabelecidos pela metodologia científica, quando adquirem a capacidade não só de conhecer as conclusões que lhes foram transmitidas, mas se habilitam a reconstituir, a refazer as diversas etapas do caminho percorrido pelos cientistas (SANTOS, 1999, pág. 47)

            A pesquisa cientifica objetiva fundamentalmente contribuir para a evolução do conhecimento humano em todos os setores, sendo sistematicamente planejada e executada segundo rigorosos critérios de processamento das informações. Será chamada pesquisa científica se sua realização for objeto de investigação planejada, desenvolvida e redigida conforme normas metodológicas consagradas pela ciência.  Os trabalhos de graduação e de pós-graduação, para serem considerados pesquisas científicas, devem produzir ciência, ou dela derivar, ou acompanhar seu modelo de tratamento.
            Alguns pesquisadores conceituam pesquisa da seguinte forma:
ž  Conjunto de procedimentos sistemáticos, baseado no raciocínio lógico, que tem por objetivo encontrar soluções para problemas propostos, mediante a utilização de métodos científicos (ANDRADE, 2003, p. 121);
ž  Procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas propostos (GIL, 1987, p. 19);
ž  Atividade voltada para a solução de problemas através do emprego de processos científicos (CERVO e BERVIAN, 1983, p. 50).

As pesquisas podem ser classificadas segundo diversos critérios, como por exemplo:
ž  Quanto à natureza: não se fundamenta nos métodos adotados, mas sim nas finalidades da pesquisa:
§  trabalho científico original: pesquisa realizada pela primeira vez, que venha a contribuir com novas conquistas e descobertas para a evolução do conhecimento científico;
§  resumo de assunto: pesquisa que dispensa originalidade mas não o rigor científico. Fundamenta-se em trabalhos mais avançados, publicados por autoridades no assunto e que não se limita à simples cópia de idéias. A análise e interpretação dos fatos e idéias, a utilização de metodologia adequada, bem como o enfoque do tema de um ponto de vista original são qualidades necessárias. É mais comum nos cursos de graduação.

ž  Quanto aos objetivos:
§  pesquisa exploratória: constitui o primeiro passo de todo trabalho científico. Visa, sobretudo quando é bibliográfica, proporcionar maiores informações sobre determinado assunto, facilitar a delimitação de um tema de trabalho, definir objetivos ou formular as hipóteses de uma pesquisa ou descobrir novo tipo de enfoque para o trabalho que se tem em mente;
§  pesquisa descritiva: os fatos são observados, registrados, analisados, classificados e interpretados sem que o pesquisador interfira neles. Incluem-se aqui a maioria das pesquisas desenvolvidas nas Ciências Humanas e Sociais, as pesquisas de opinião, as mercadológicas, os levantamentos socioeconômicos e psicossociais;
§  pesquisa explicativa: mais complexa pois, além de registrar, analisar e interpretar os fenômenos estudados, procura identificar seus fatores determinantes, ou seja, suas causas. A maioria destas pesquisas utiliza o método experimental, o qual é caracterizado pela manipulação e controle das variáveis, com o objetivo de identificar qual a variável independente que determina a causa da variável dependente ou do fenômeno em estudo.


ž  Quanto ao objeto: referente principalmente ao ambiente onde são realizadas as pesquisas:
§  bibliográfica: pode ser um trabalho independente ou uma etapa inicial de uma pesquisa;
§  de laboratório: o pesquisador tem condições de provocar, produzir e reproduzir fenômenos, em condições de controle. Não é sinônimo de pesquisa experimental; nas Ciências Humanas e Sociais também se faz este tipo de pesquisa;
§  de campo: não tem como objetivo produzir ou reproduzir os fenômenos estudados. A coleta de dados é efetuada em campo, onde ocorrem espontaneamente os fenômenos. É desenvolvida principalmente nas Ciências Sociais (Sociologia, Psicologia, Política, Economia, Antropologia).

Quanto aos procedimentos técnicos:

§  pesquisa bibliográfica: é aquela que utiliza material escrito / gravado, mecânica ou eletronicamente. São consideradas fontes bibliográficas os livros (de leitura corrente ou de referência, tais como dicionários, enciclopédias, anuários etc.), as publicações periódicas (jornais, revistas, panfletos etc.), fitas gravadas de áudio e vídeo, páginas de web sites, relatórios de simpósios / seminários, anais de congressos etc.;
§  pesquisa documental: utiliza fontes de informação que ainda não receberam organização, tratamento analítico e publicação, como tabelas estatísticas, relatórios de empresas, documentos arquivados em repartições públicas, associações, igrejas, hospitais, sindicatos, fotografias, epitáfios, obras originais de qualquer natureza, correspondência pessoal ou comercial etc.;
§  pesquisa experimental: quando um fato ou fenômeno da realidade é reproduzido de forma controlada, com o objetivo de descobrir os fatores que o produzem ou que por ele são produzidos. São geralmente feitos por amostragem, onde se considera que os resultados válidos para uma amostra (ou conjunto de amostras) serão, por indução, válidos também para o universo;
ž  pesquisa ex post facto: significa literalmente “a partir de depois do fato”. Trata-se de uma pesquisa experimental onde, após o fato ou fenômeno ter ocorrido, tenta-se explicá-lo ou entendê-lo;
§  levantamento (pesquisa de opinião, de motivação etc.): é aquela que busca informação diretamente com um grupo de interesse a respeito dos dados que se deseja obter, utilizando questionários, formulários ou entrevistas. Os dados são tabulados e analisados estatisticamente;
§  estudo de caso: quando se deseja estudar com profundidade os diversos aspectos característicos de um determinado objeto de pesquisa restrito;
§  pesquisa-ação: quando os pesquisadores e os participantes envolvem-se no trabalho de pesquisa de modo participativo ou cooperativo, interagindo em função de um resultado esperado;
§  pesquisa (observação) participante: ocorre por meio do contato direto do pesquisador com o fenômeno observado para se obter informações sobre a realidade dos atores sociais em seus próprios contextos.

Antes de se iniciar uma pesquisa científica é necessário refletir sobre a mesma. Assim como para construir um edifício é necessário antes de fazer a planta, imaginar o tamanho, o número de andares etc. e então planejar e construir os alicerces, de acordo com o tipo de edificação, é imprescindível que antes da pesquisa se elabore um plano, se imagine a abordagem, os tópicos que serão focalizados, como se pretende conduzir o trabalho etc. Assim, o trabalho de pesquisa é desenvolvido por etapas, que se constituem num método, num caminho facilitador do processo, buscando mapear o caminho, evitar muitos imprevistos e esclarecer os rumos para o próprio pesquisador. Recomenda-se que a pesquisa siga o seguinte encadenamento:

ž  planejamento da pesquisa: pré-projeto e projeto;
ž  execução: coleta de dados, análise e redação;
ž  apresentação gráfica: digitação.

Escrito por: Profa. Dra. Nilce Nazareno da Fonte

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2002. 242 p.

FACHIN, Odília. Fundamentos de metodologia. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2003. 195 p.

FURASTÉ, Pedro Augusto. Normas técnicas para o trabalho científico: 12. ed. Porto Alegre: s.n., 2003.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003. 311 p.

OLIVEIRA, Silvio Luiz de. Tratado de metodologia científica: projetos de pesquisa, TGI, TCC,  monografias, dissertações e teses. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002. 320 p.

AULA METODOLOGIA CIENTÍFICA - SINFRA/JAN. 2012 - ATIVIDADE AVALIATIVA

Segue abaixo link dos textos a serem lidos. Posteriormente, o (a) acadêmico (a) deverá elaborar um texto de uma lauda, no mínimo, até duas laudas.
No texto deverá ser escrito em terceira pessoa, é discursivo, contando com a opinião acerca da temática principal dos textos lidos.

links:

http://uceff.com.br/noticia_mostra.php?idmateria=226

http://periodicos.uesb.br/index.php/praxis/article/view/287

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

INORMAÇÃO

ESTOU EM FÉRIAS...EM BREVE RETORNAREI....

terça-feira, 15 de novembro de 2011

ESTUDO DAS CITAÇÕES NO TRABALHO CIENTÍFICO - TURMAS: 1º “J”, “K”, “L”, “M” –MATUTINO e 1º “S” – VESPERTINO

As informações extraídas da literatura utilizada devem ser devidamente citadas e documentadas no texto dos trabalhos acadêmicos e científicos, onde se incluem as teses. Essas informações, denominadas citações, devem obedecer a um sistema que identifique as fontes utilizadas na confecção do texto.

Citação é, portanto, a menção no texto de informação extraída de outros documentos, com o objetivo de colocar o trabalho no contexto da temática, conferir a ele credibilidade, confrontar dados, fatos e argumentos, e registrar opiniões similares ou conclusões opostas.

Usa-se quando há necessidade de provar autoridade, originalidade ou fidedignidade. O fato de se incorporar idéias, dados e frases de outros autores, transcritos ou não, sem fazer menção a fonte original, constitui plágio, o que implica em sérias conseqüências para o autor da tese. Fatos do domínio público ou que possam ser facilmente verificados não necessitam ser referenciados.

Todas as citações incluídas no texto referentes a trabalhos publicados devem obrigatoriamente figurar na listagem das referências, ao final do trabalho. Estas devem estar absolutamente corretas e de acordo com a norma utilizada

Segundo a ABNT (2002), as citações são classificadas em três tipos: Citação Direta; Citação Indireta e Citação de Citação.

1. CITAÇÃO DIRETA - é a transcrição ou a cópia, no corpo do seu trabalho, de um texto, um parágrafo, uma frase ou uma expressão, usando exatamente as mesmas palavras usadas pelo autor da obra pesquisada.

1.1. Citação Direta de Até Três Linhas – deve ser inserida no parágrafo, entre aspas duplas. Há duas maneiras possíveis:

1ª. Trazemos o autor para o corpo do trabalho, empregando termos como: segundo, de acordo com, afirma, relata, conceitua, descreve etc., seguido do nome e sobrenome do autor, e, entre parênteses a data da obra consultada, vírgula, e o número da página consultada:

O rondel compõe-se de duas quadras e de uma quintilha. Segundo Carmo (1919, p.215), "presta-se o rondel aos conceitos galantes e madrigalescos, às gentilezas amorosas e aos sentimentos delicados".

► Lá na bibliografia:

CARMO, Manoel do. Consolidação das Leis do Verso, São Paulo Duprat, 1919, p.215.

2ª. Trazemos a citação para o corpo do trabalho, e informamos ao final da citação (entre parênteses) o sobre nome do autor, em caixa alta (letras maiúsculas), a data e a página, estes virgulados. Veja o exemplo:

"Presta-se o rondel aos conceitos galantes e madrigalescos, às gentilezas amorosas e aos sentimentos delicados." (CARMO, 1919, p.215).

► Na bibliografia idem a 1ª.

Observações:

1ª. Havendo mais de um autor, observam-se os mesmos procedimentos, apenas ressaltando o nome dos autores na ordem em que aparecem na obra consultada.

2ª. Não precisamos atribuir crédito a informações contidas em enciclopédias, dicionários e informações históricas de conhecimento comum.

1.2. Citação com mais de Três Linhas – deve ser destacada, pulando-se uma linha para iniciar a transcrição da citação, com recuo maior da margem esquerda, com tamanho da fonte menor que a utilizada no texto, sem aspas e crédito(s) do(s) autor(res) ao final da citação. Para reiniciar o texto normal, pula-se outra linha:

É assim que podemos acompanhar Henry Edmond ao longo de toda a sua vida e que Hamlet poucas horas passará conosco. Em um dia de leitura podemos viver anos e anos da existência das personagens de uma ficção. Nas poucas horas que dura uma tragédia, pouco mais viveremos que os derradeiros momentos do herói. (SIMÕES, 1944, p.14)

(FONTE: SIMÕES, João Gaspar. Ensaio sobre a Criação no Romance, Rio, 1944, p.14)

1.3. Citação com Trechos Omitidos - trechos dispensáveis ao entendimento da citação podem ser omitidos, desde que não alterem o argumento do autor; para isso utilizamos colchetes/parênteses e reticências [...] ou (...) a fim de indicar a omissão. Do mesmo modo, se a supressão ocorrer no início ou no final da citação:

"Em suma, constituem diversos momentos do movimento dramático [...] fases de ação, são eles mesmos ações". (SIMÕES, 1944, p. 393)

Fonte: (SIMÕES, João Gaspar. Ensaio sobre a Criação no Romance, Rio, 1944, p. 393)

2. CITAÇÃO INDIRETA - É a transcrição livre do texto, isto é, usamos nossas próprias palavras para expor a idéia do autor. Podemos, ainda, se o trecho for muito longo, interpretar a idéia do autor e fazermos uma síntese. Nesse tipo de citação, não se utiliza as aspas; mas o autor, a fonte e a data de publicação devem ser citados. Não é obrigatório colocar o número de páginas, mas se o fizer deve repetir em todas as outras citações:

Como lembra Martins (1984), o futuro desenvolvimento da informação está cada dia mais dependente de um plano unificado de normalização.

3. CITAÇÃO DE CITAÇÃO - É a menção a um trecho de um documento ao qual não tivemos acesso, mas do qual tomamos conhecimento apenas por citação de outro. Só deve ser usada na total impossibilidade de acesso ao documento original. Nesse caso, usamos expressão latina apud (citado por) para indicar a obra de onde foi retirada a citação. Citamos o sobrenome do autor do documento original, na seqüência, e entre parênteses ano e página em que o autor original escreveu (se houver), depois, a expressão apud, o sobrenome do autor que fez a citação em CAIXA ALTA, ano e página da obra do documento de que retiramos a citação. Ou, usamos após o texto, citamos sobrenome dos dois autores em CAIXA-ALTA, dentro dos parênteses, com as demais informações. Observamos que, na lista de referências, citamos somente a obra consultada, mencionando o autor que a citou.

Exemplo:

Sobre gestão por competências, Brandão e Aquino (2001 apud BITENCOURT; BARBOSA, 2004, p. 246) assim se posicionam:

Deve fazer parte das políticas que recaem sobre as pessoas e para o sucesso organizacional direcionada ao recrutamento, seleção, treinamento, entre outros, fazendo parte das competências necessárias para atingir os objetivos da organização, lembrando sempre que devem estar alinhadas à estratégia organizacional.

OU

Para explicar o surgimento da propriedade privada, iremos recorrer ao seguinte trecho:

O primeiro homem que, ao cercar um terreno, afirmou “isto é meu”, encontrando pessoas suficientemente estúpidas para acreditarem nisso, foi o [...] fundador da sociedade civil. Quantos crimes, quantas guerras, quantos assassinatos, quantas misérias e erros teriam sido poupados à humanidade se alguém arrancasse os marcos ou nivelasse os fossos (ROUSSEAU, 1968 apud GRUPPI, 1986, p. 19).

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT), Informação e Documentação, Citações em Documentos. Rio de Janeiro, 2002. 7 p.



FONTE:

http://www.bvs-sp.fsp.usp.br:8080/html/pt/paginas/guia/a_cap_03.htm

http://www.recantodasletras.com.br/teorialiteraria/638805

Acessado em 15 de novembro de 2011

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

1ºs anos J, K, L, M e S - Modelo Relatório de Pesquisa e Atividades Complementares

Relatórios são documentos descritivos de resultados obtidos em pesquisas, eventos (palestras), atividades, visitas técnicas, viagens técnicas, oficinas, experiências ou serviços.
Estrutura.

1. Capa: constam do nome da instituição, curso, disciplina, título do trabalho, nome do aluno e período, local e ano.

2. Folha Rosto: será constituída pelo nome do Autor do relatório, Título, especificações.

3. Texto: É um texto corrido, não sendo necessária a identificação dos tópicos abaixo descritos. Eles são apenas didáticos e servem para orientar o discente no momento da elaboração.

a) Introdução: Parte inicial do texto onde se expõe o assunto como um todo. Informações sobre o contexto e a importância do assunto ou atividade. É importante que conste as seguintes informações:
- Local: menciona onde realizou-se a atividade
- Período de Execução: registra o período (dia/mês/ano) de início e término da atividade. Em casos de palestra, seminários, congressos, etc, elucidar a carga horária do evento.
- Título: resume a idéia do trabalho. O nome do evento ou atividade.
- Objetivos: Descrever qual (ais) o (s) objetivo (s) a serem alcançados durante a atividade ou evento.

b)Desenvolvimento: sintetiza o conteúdo das atividades realizadas, apresentando os principais pontos abordados durante a atividade complementar.

c)Conclusão: Apresenta os avanços acadêmicos que a atividade proporcionou para o discente e a sociedade como um todo.

4. Anexos: São documentos auxiliares tais como: tabelas, gráficos, mapas, organogramas, formulários, fotos, certificados, declarações, entre outros.

OBSERVAÇÃO: O anexo quando utilizado, deve estar citado no texto do relatório, entre parênteses. Os anexos, também são enumerados e postos em folha separada do corpo do relatório. No corpo do relatório, os tópicos da estrutura do relatório devem estar em fonte Arial/Times New Roman 12 a 14 e negrito; já as informações devem estar apenas em Arial/Times New Roman 12, espaçamento 1,5.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

V E R S I F I C A Ç Ã O

É o conjunto de normas que ensinam a fazer poemas belos e perfeitos segundo o conceito dos antigos gregos. Para eles, beleza e perfeição são sinônimos de trabalhoso, detalhado, complexo e tudo aquilo que segue a um modelo, a um conjunto de normas. É, assim, a técnica ou a arte de fazer versos.
VERSO é cada uma das linhas que compõem um poema, possui número determinado de sílabas poéticas (métrica), agradável movimento rítmico (ritmo ) e musicalidade (rima).
O conjunto de versos compõe uma estrofe, que pode ser:
1. Monóstico: estrofe com um verso;
2. Dístico: “ “ dois versos;
3. Terceto: “ “ três “
4. Quarteto: “ quatro versos; (ou quadra)
5. Quintilha: “ “ cinco “
6. Sextilha: “ “ seis “
7. Septilha: “ “ sete “
8. Oitava: “ “ oito “
9. Nona: “ “ nove “
10. Décima : “ “ dez “
Mais de dez versos: estrofe Irregular.
O verso que se repete no início de todas as estrofes de um poema chama-se ANTECANTO e o que se repete no final, BORDÃO. O conjunto de versos repetidos no decorrer do poema chama-se ESTRIBILHO ou REFRÃO.
MÉTRICA é a medida ou quantidade de sílabas que um verso possui. A divisão e a contagem das sílabas métricas de um verso são chamadas de ESCANSÃO, que não é feita da mesma forma que a divisão e contagem de sílabas normais, pois, segundo a Versificação:

1) Separam-se e contam-se as sílabas de um verso até a última sílaba tônica desse verso. Ex:
Es|tou | dei|ta|do | so|bre| mi|nha| ma|la
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

2) Quando duas ou mais vogais se encontram no fim de uma palavra e começo de outra, e podem ser pronunciadas simultaneamente, unem-se numa só sílaba métrica. Quando essas vogais são diferentes, o processo chama-se elisão e quando são vogais idênticas, crase.
Ex:
E|la+es|ta|va|só (Elisão) e fo|ge+e|gri|ta (Crase)
1 2 3 4 5 1 2 3

3) Geralmente, como acontece na divisão silábica normal, os elementos que formam um ditongo não podem ser separados e os elementos que formam um hiato devem ser separados na escansão de um verso. No entanto, se o poeta precisar separar os elementos de um ditongo (diérese) ou unir os de um hiato (sinérese), ele tem LICENÇA POÉTICA para que sua métrica dê certo. O mesmo acontece se ele precisar contar também até a última sílaba átona do verso. Outras LICENÇAS POÉTICAS:

- ECTLIPSE: supressão de um fonema nasal final , para possibilitar a crase ou a elisão.
Ex: E nós com esperança =
E|nós| co’es|pe|ran|ça
1 2 3 4 5
- AFÉRESE: Supressão da sílaba ou fonema inicial.
Ex: “Estamos em pleno mar” =
Sta|mos|em|ple|no|mar
1 2 3 4 5 6
Quanto à Métrica, um verso pode ser:
1. monossílabo: verso com apenas uma sílaba;
2. dissílabo: verso com duas sílabas;
3. trissílabo: “ “ três “
4. tetrassílabo: “ “ quatro “
5. pentassílabo: “ “ cinco “ , também chamado REDONDILHA MENOR
6. hexassílabo: “ “ seis “
7. heptassílabo: “ “ sete “ , também chamado REDONDILHA MAIOR
8. octossílabo: “ “ oito “
9. eneassílabo: “ “ nove “
10. decassílabo: “ “ dez “ , também chamado de HERÓICO
11. hendecassílabo: “ “ onze “
12. dodecassílabo: “ “ doze “, também chamado de ALEXANDRINO

RITMO é o resultado da regular sucessão de sílabas tônicas e átonas de um verso. Para os gregos, ele é um elemento melódico tão essencial para o poema quanto para a Música.
Os versos que não seguem as normas da Versificação quando à métrica e/ou ao ritmo são chamados de VERSOS LIVRES.

SOM ou RIMA também é para os antigos um elemento essencial para que um poema seja uma POESIA. A rima é a identidade e/ou semelhança sonora existente entre a palavra final de um verso com a palavra final de outro verso na estrofe. Foneticamente, uma rima pode ser perfeita – se houver identidade entre as terminações das palavras que rimam (neve/leve) - ou imperfeita, se houver apenas semelhança (estrela/vela). Morfologicamente, a rima é pobre quando as palavras que rimam pertencem à mesma classe gramatical (coração/oração), e rica quando as palavras que rimam pertencem a classes gramaticais diferentes (arde/covarde).
Quanto à posição na estrofe, as rimas podem ser classificadas como:

a) emparelhadas ou paralelas (aabb)
“Vagueio campos noturnos a
Muros soturnos a
Paredes de solidão b
Sufocam minha canção.” b
(Ferreira Gullar)
b) cruzadas ou alternadas (abab)
“Se o casamento durasse a
Semanas, meses fatais b
Talvez eu me balançasse a
Mas toda a vida... é demais! “ b
( Afonso Celso)

c) opostas, intercaladas ou interpoladas (abba)
“Não sei quem seja o autor a
Desta sentença de peso b
O beijo é um fósforo aceso b
Na palha seca do amor!” a (B. Tigre)

d) continuadas: consiste na mesma rima por todo o poema.

e) misturadas: são as rimas que não seguem esquematização regular.

f) Versos Brancos: são os do poema sem rima.

Fazem parte do estudo do som ou rimas as FIGURAS DE HARMONIA OU DE EFEITO SONORO: aliteração, assonância, onomatopéia, paronomásia, parequema e o eco ou rima coroada.

POEMAS DE FORMA FIXA

Alguns poemas apresentam forma fixa, o que já indica a preocupação formal do poeta em relação à sua obra e, assim, que ele segue à risca as normas da Versificação no momento da sua elaboração. São eles:
. SONETO: poema formado por dois quartetos e dois tercetos, normalmente composto por versos decassílabos e de conteúdo lírico;
. BALADA: poema formado por três oitavas e uma quadra;
. RONDEL: poema formado por duas quadras e uma quintilha;
. RONDÓ: poema com estrofação uniforme de quadras;
. VILANELA: poema formado por uma quadra e vários tercetos.
Assim, para os clássicos, a obediência às normas ou técnicas aqui expostas é um dos itens mais importantes na classificação de um POEMA como POESIA.

Fonte:
http://portalrosabeloto.sites.uol.com.br/apostilas/versificacao.htm
acessado em 17/10/2011