segunda-feira, 21 de maio de 2012

EXEMPLOS DE TEXTO COM COERÊNCIA, S/ COESÃO

TEXTO 1- Contruído a partir de substantivos: 
Circuito Fechado

Ricardo Ramos

     Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, telefone, agenda, copo com lápis, caneta, blocos de notas, espátula, pastas, caixa de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetos de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha, cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo. xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone interno, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço, relógio, maço de cigarros, caixa de fósforos. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapos. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel, relógio, papel, pasta, cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras, cigarro e fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.

TEXTO 2

A Pesca

Affonso Ramos de Sant'Anna

o anil
o anzol
o azul
o silêncio
o tempo
o peixe

a agulha
   vertical
   mergulha

a água
a linha
a espuma

o tempo
a âncora
o peixe

a boca
o arranco
o rasgão

aberta a água
aberta a chaga
aberto o anzol

aquelíneo
ágilclaro
estabanado

o peixe
a areia
o sol

terça-feira, 15 de maio de 2012

PRODUÇÃO DE TEXTO: OPERADORES ARGUMENTATIVOS

Dá-se o nome de operadores argumentativos a certos elementos da língua, explícitos na própria estrutura gramatical da frase, cuja finalidade é a de indicar a argumentatividade dos enunciados. Introduzem variados tipos de argumentos que apontam para determinadas conclusões.
Observe nos exemplos  como funcionam esses operadores:
No Brasil ainda há crianças fora da escola.
Nesse enunciado, o advérbio ainda orienta o interlocutor no sentido de inferir algo que está pressuposto: que, antes do momento da enunciação, já havia crianças fora da escola.
Embora muitos adolescentes que trabalham freqüentem a escola, poucos conseguem concluir os oito anos de escolaridade básica.
Nesse enunciado, a conjunção embora introduz argumento que se contrapõe ao exposto na oração seguinte.
Tipos de operadores argumentativos
  • Operadores que introduzem argumentos que se somam a outro, tendo em vista uma mesma conclusão: e, nem, também, não só... mas também, não só ...mas ainda, além disso, etc.
Os efeitos danosos do trabalho infantil sobre a escolarização são sentidos não só nas crianças menores, mas também nos adolescentes.
  • Operadores que introduzem enunciados que exprimem conclusão em relação ao que foi expresso anteriormente: logo, portanto, então, em decorrência, conseqüentemente, etc.
O trabalho infantil prejudica o desenvolvimento físico, emocional e intelectual da criança, portanto deve ser combatido.
  • Operadores que introduzem argumento que se contrapõem a outro visando a uma conclusão contrária: mas, porém, todavia, embora, ainda que, mesmo que, apesar de, etc.
Muitas pessoas são contra a exploração de crianças e adolescentes, mas poucas fazem alguma coisa para evitar que isso aconteça.
Esses operadores são geralmente representados pelas conjunções adversativas e concessivas. A opção por um determinado tipo de conjunção tem implicações na estratégia argumentativa.
Por meio das adversativas (mas, porém, todavia, contudo, etc.), introduz-se um argumento que leva o interlocutor a uma conclusão contrária a que chegaria se prevalecesse o argumento usado no enunciado anterior. Com as concessivas (embora, se bem que, ainda que, etc.), o locutor dá a conhecer previamente o argumento que será invalidado. Observe:
Milhões de crianças e adolescentes trabalham no Brasil, mas isso é proibido pela Constituição.
 
Embora a Constituição proíba, milhões de crianças e adolescentes trabalham  no Brasil.
  • Operadores que introduzem argumentos alternativos: Ou, ou...ou, quer...quer, seja...seja, etc.

Ou sensibilizamos a sociedade sobre os efeitos danosos do trabalho infantil, ou o problema persistirá.

* Operadores que estabelecem relações de comparação: mais que, menos que, tão...quanto, tão...como, etc.
O problema do trabalho infantil é tão grave quanto o do desemprego.
  • Operadores que estabelecem relação de justificativa, explicação em relação a enunciado anterior: pois, porque, que, etc.
Devemos tomar uma decisão urgente, pois o problema tende a se agravar.
  • Operadores cuja função é introduzir enunciados pressupostos: agora, ainda, já, até, etc.
Até o Papa manifestou sua indignação com referência ao trabalho infantil.
Nesse enunciado, pressupõe-se que outras pessoas, além do Papa, tenham manifestado indignação. Compare a força argumentativa do enunciado contrapondo-o a outros:
O padre manifestou sua indignação.
O bispo manifestou sua indignação.
Até o Papa manifestou sua indignação.
Nesse caso, temos uma escala argumentativa ascendente (orientada do argumento mais fraco para o mais forte: o Papa). Numa escala argumentativa negativa, os termos estariam em ordem descendente, e o argumento mais forte viria introduzir por nem mesmo.
O acontecimento não teve nenhuma repercussão: o Papa não se manifestou o bispo também não, nem mesmo o padre de paróquia fez qualquer referência ao assunto.
A função de introduzir o argumento mais forte de uma escala argumentativa também pode ser exercida pelos operadores inclusive, até mesmo, ao menos, no mínimo, etc.
  • Operadores cuja função é introduzir enunciados que visem a ratificar esclarecer um enunciado anterior: isto é, em outras palavras, vale dizer, ou seja, etc.
Duas, de cada 10 crianças trabalhadoras, ou seja, 20%, não freqüentam a escola.
  • Operadores cuja função é orientar a conclusão para uma afirmação ou uma negação: quase, apenas, só, somente, etc.
Dentre os adolescentes que trabalham, poucos conseguiram concluir os oito anos de escolaridade básica: apenas 25,5%.
O número de crianças e adolescentes que trabalham é muito grande: quase quatro milhões.
O operador argumentativo quase aponta para a afirmação da totalidade e, normalmente, encadeia-se com muitos e a maioria.
Apenas ( e seus equivalentes e somente) aponta para a negação da totalidade e, normalmente, encadeia-se com poucos e a minoria.


segunda-feira, 16 de abril de 2012

MATERIAL DE REVISÃO 3ºs ANOS MATUTINO (A,B,C,D)

- PRÉ-MODERNISMO: INÍCIO: PUBLICAÇÃO DA OBRA “OS SERTÕES”, EM 1902, POR EUCLIDES DA CUNHA, FIM: SEMANA DE ARTE MODERNA DE 1922.


- “OS SERTÕES”: OBRA COM ESTILO LITERÁRIO, DE FUNDO HISTÓRICO (APESAR DE FATO RECENTE) E DE RIGOR CIENTÍFICO;

- TODOS OS IMPORTANTES QUESTIONAMENTOS E AS GRANDES FORMULAÇÕES SOCIOLÓGICAS, ANTROPOLÓGICAS, HISTÓRICAS E POLÍTICAS PARA COMPREENDER O BRASIL, ANTES E DEPOIS DA REPÚBLICA, TIVERAM SEU EMBRIÃO NAS PÁGINAS DE “OS SERTÕES”.

- ADOTANDO MODELO DETERMINISTA (O MEIO DETERMINA O HOMEM) A OBRA SE ORGANIZA EM TRÊS PARTES:

* A TERRA: DESCREVE O CENÁRIO ONDE DESENROLOU A AÇÃO. ESTUDOU AS CONDIÇÕES GEOGRÁFICAS, BIOLÓGICAS, CLIMÁTICAS DO SERTÃO;

* O HOMEM: DESCREVE OS COSTUMES DO SERTANEJO;

* A LUTA: DESCREVE OS ATAQUES A CANUDOS E SUA EXTINÇÃO;



- A PERCEPÇÃO DA GUERRA COMO TRADUÇÃO DA EXISTÊNCIA DE DOIS BRASIS – UM CIVILIZADO E MODERNO E OUTRO ARCAICO E PRIMITIVO – DOIS BRASIS SEM UNIDADE, SEM UM NÚCLEO COMUM, CONSTITUI A GRANDE COLABORAÇÃO DE PARA A CONSCIÊNCIA DOS BRASILEIROSDA ÉPOCA A RESPEITO DO SEU PRÓPRIO PAÍS.

- NÃO ESQUEÇA: A LINGUAGEM – EXTRAORDINARIAMENTE ELABORADA, ORNAMENTAL, DIFÍCIL, POÉTICA, BARROCA EM SUAS ANTÍTESES, EM SUAS METÁFORAS E EM SEUS PARADOXOS – É O QUE CONFERE CARÁTER LITERÁRIO AO TEXTO.

2. LIMA BARRETO

• Relatos neorrealistas, de estilo simples, mais ou menos desleixados na linguagem.

• Valorização da vida suburbana e das camadas pobres do Riode Janeiro.

• Caricatura dirigida aos poderosos da época (políticos e letrados, em especial).

• Ironia corrosiva ao nacionalismo ufanista.

• Denúncia dos preconceitos sociais e de cor (o autor era mulato)



Triste fim de Policarpo Quaresma

Relato centrado em um burocrata visionário, dominado por formulações de  nacionalismo ufanista e que, por isso, crê piamente nas grandezas convencionais da nação. A narrativa é a da perda progressiva de seus ideais, perseguidos e destroçados pela realidade, como, por exemplo, a sua fracassada experiência agrícola e a sua consciência da brutalidade das elites, após o episódio da Revolta da Armada (1893). Por protestar contra a violência do próprio governo que ajudara a defender, Policarpo Quaresma será preso e fuzilado.

Além de fazer uma descrição política do país no início da república, a obra traça um rico painel social e humano dos subúrbios cariocas da virada do século.


4. MONTEIRO LOBATO

Literatura geral (adulta): Urupês, Cidades mortas, Negrinha.

• Contos com ênfase em soluções patéticas, macabras ou anedóticas

• Estrutura do conto e de linguagem presa ao modelo realista tradicional

• Registro da zona cafeicultura decadente do interior paulista (Cidades mortas)

• Criação da figura do caboclo brasileiro (o caipira) – Jeca Tatu (símbolo do atraso econômico e cultural do caboclo simples do interior).

• Retratou o homem pobre do campo e a sua ignorância, que levantava uma barreira ao desenvolvimento nacional.

• Literatura infanto-juvenil: O sítio do pica-pau amarelo - mescla de fantasia, realidade e informação presença de um cenário típico do interior brasileiro (o sítio)



quarta-feira, 4 de abril de 2012

ATIVIDADE PARA OS ALUNOS DO 3ºs ANOS ANOS A, B e D da E.E. Presidente Médici

Identifique o sujeito e classifique-o. Indique o seu núcleo. Identifique o predicado e classifique-o.


1- “Mais longe, numa volta de estrada a telha encarnada de uma casa brilhava ao sol.” (Raquel de Queiroz)

2- “Com a facilidade de sua elocução, fez o Dr. Claudio a crítica geral da literatura brasileira.” (Raul Pompeia)

3- “Dentro da minha cabeça ainda giravam conversas e músicas de madrugada.” (Rubem Braga)

4- “Por um instante viveu no meu sonho, aquele esplendor suave de uma nudez” (Rubem Braga)

5- Vivia-se tranquilamente nesta cidade.

6- Naquela tarde, nevou durante horas.

7- Sempre haverá pessoas dispostas a ajudar.

8- Uma obra de arte é sempre um grande desafio.

9- O artista representa a realidade.

10- Flores ornamentavam o cabelo dos indígenas.

11- As matas brasileiras nos revelam um mundo exótico.

12- Eles não visitam museus.

13- Um é pouco.

14- Ambos compareceram ao aniversário.

15- Poemas, pinturas, esculturas são sempre um grande desafio.

16- Um simples “sim” pôs fim a uma querela de mais de dois anos.

17- Um velho, dois homens feitos e uma criança foram os últimos combatentes de Canudos.

18- O aluno estrangeiro logo se adaptou ao novo ambiente.

19- Os dinossauros também vieram nos pólos.

20- Têm aumentado ultimamente as denúncias contra cientistas.

21- Existem mais de cem espécies de frutas venenosas.

22- O aluno caminha apressado.

23- Os compradores consideram a proposta razoável.

24- Nos galhos da pitangueira, brincavam livremente os pássaros.

25- Esta comida não serve para consumo.

26- Caíram ao chão uma árvore e um poste.

27- Da cartola do mágico saem pombos e vários objetos.

28- O álbum e as figurinhas estão aqui.

29- Febre alta e dor de cabeça são sintomas da dengue.

30- Existirão seres vivos em outros mundos?


terça-feira, 6 de março de 2012

Análise do soneto “Amor é fogo que arde sem se ver”, de Camões


O soneto “Amor é fogo que arde sem se ver”, de Luís Vaz de Camões, trata de um conceito do amor na concepção do neoplatonismo, pois, acentua-se o dualismo platônico entre sensível e inteligível, matéria e espírito, finito e infinito, mundo e Deus. Este soneto é uma definição poética do amor. Como se Camões quisesse definir este sentimento indefinível e explicar o inexplicável, colocando imensos contrastes para caracterizar este “mistério”. Para Camões, o Amor (com A maiúscula) é um tipo de ideal superior, perfeito e único, pelo qual há o anseio de atingi-lo, mas como somos imperfeitos e decaídos, somos ao mesmo tempo incapazes de chegar a esse ideal. O amor é visto, então, como um sentimento que envolve sensações e que ocorre quando existe um senso de identidade entre pessoas com identidades bem definidas e diferenciadas. Existe a dualidade da incerteza do amor “físico” (com a minúscula) com o Amor ideal, assim o amor é um tipo de “imitação” do Amor, na realidade o autor procura compreender e definir o processo amoroso. Conceituando a natureza paradoxal do amor, o soneto ressalta em enunciados antitéticos, compondo um todo lógico, o caráter paradoxal do sentimento amoroso. Esclarecendo-se, entretanto, que tais contradições são, por vezes, aparentes, pois, a segunda pane de cada verso funciona como complemento da primeira, enfatizando-a por intermédio da aproximação de realidades distintas.

O aspecto material, sensível “ferida que dói”, “é dor que desatina” é oposto ao espiritual “em que se sente”, “sem doer”, como, de resto pode-se observar ao longo de todo o soneto, culminando com a indagação final, a traduzir toda a perplexidade diante da total impossibilidade de se compreender o próprio amor. Camões parece estar coberto de razão ao afirmar que "tão contrário a si é o mesmo amor", mas diversamente do percurso camoniano, ele aponta para a alma, então, o poeta parece chegar a uma conclusão, expressada pela interrogação no último terceto. A forma do soneto corresponde ao tema do poema. Podemos dizer que a primeira vista é um jogo renascentista, mas depois descobrimos o sentido profundo do poema. E nisso encontramos a arte do autor – nesta capacidade de tomar de leve (como se fosse jogo) um tema que nos faz pensar profundamente nos problemas psicológicos bastante complicados. Portanto esse soneto trata de uma verdade enunciada com aparência de mentira.




Fonte:
http://pt.shvoong.com/humanities/1764583-an%C3%A1lise-soneto-amor-%C3%A9-fogo/#ixzz1oLJCG1X6
 
acesso em 06/03/2012

Análise do poema “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias

Análise do poema “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias


categoria: poesia, teoria literária 0 Comments - Leave a comment!.Este texto é uma anotação de uma análise feita em aula pelo professor Eduardo Martins. O professor não é de modo algum responsável por erros, omissões ou imprecisões na análise.



O poema foi escrito enquanto Golçaves Dias estava em portugal cursando Direito.



O poema pertence ao gênero Lírico, que não conta uma história e sim exprime um estado de ânimo de um “eu”, o “eu” lírico.Os elementos de cenário servem como metáforas desse estado de espírito e tem papel muito mais importanbte do que cenários onde se desenrola uma história.



O poema começa com o uso de uma epígrafe, prática comum no romantismo, que possui função semelhante à clave musical, servindo para sugerir o tom da interpretação do poema.



O poema começa com a oposição da terra natal do eu lírico como lugar distante (lá) e a terra do exílio. Essa oposição parte de elementos prosaicos e vai num crescendo até atingir a própria vida.



A comparação não se dá entre coisas que existem na terra natal e não no exílio, mas sim entre elementos presentes em ambas as terras, subjetivamente afirmando a superioridade da terra natal.



Forma

O poema possui 3 quadras e 2 sextetos. A forma é simples, e essa simplicidade se reflete também no vocabulário. Mas a simplicidade não é sinal de “pobreza” e sim de grande habilidade no manuseio dos recursos formais do poema.



O poema possui uma “musicalidade” que é dada pelo ritmo e pelas rimas. Rimas são a repetição de alguns sons iguais ou semelhantes, no final ou no interior dos versos. No caso da “Canção do Exílio” as rimas se dão nos versos pares e os ímpares não rimam (embora alguns versos ímapres possuam rima “toante”, que é a rima apenas da sílaba tônica”. A rima comum seria a “soante”).



A repetição sonora é reforçada pela repetição de palavras, o que acaba por ecoar e firmar o aspecto musical do poema. A repetição dos versos acabam por criar um “refrão”, o que soma o aspecto “musical” do poema.



O ritmo, na literatura neolatina, é dado pela sucessão de de sílabas fracas e fortes, ao se dividr as sílabas poéticas (como as sílabas são pronunciadas e contadas até a última sílaba tônica do verso).



No exemplo:



Mi/nha/ te/rra /tem/ pal/mei/ras

On/de/ can/ta o/ sa/bi/á

As/ a/ves/ que a/qui/ gor/jei/am

Não/ gor/jeiam/ co/mo/ lá



Acabam produzindo o seguinte ritmo, se considerarmos a notação / para sílaba forte e _ para sílaba fraca:



/_/_/_/

/_/_/_/

_/__/_/

/_/_/_/



Note o terceiro verso. O ritmo é destoante dos outros três (1°, 2° e 4°). Esse verso diz justamente “As aves que aqui gorjeiam”, ou seja uma referência à terra do exílio. O ritmo é quebrado sempre que o poeta se refere à terra do exílio. Nos versos 21, 22, e 23 também há quebra do ritmo, mas associada à grande tensão do “eu” lírico. Desse modo, a forma do poema é usada para dar consistência ao seu conteúdo.



O poema pertence à primeira geração romântica no Brasil, que coincide com a época da independência, estando associada à grandes aspirações nacionalistas e interesse pelas coisas do país, a “cor local”, refletindo, no romantismo, elementos da geografia local, afirmando a diferença e independencia de Portugal, inclusive literariamente.



Como a língua é a mesma, buscam uma teoria alemã que afirma a diferença na geografia. Essa teoria dividia a europa em dois “hemisférios literários”: o sul, mediterrâneo, luminoso, que se reflete na literatura greco romana e o norte brumoso, frio, que se reflete na cavalaria cristã romântica. Dessa forma os romantistas brasileiros resolvem o conflito da diferenciação literária mesmo compartilhando a língua com Portugal.



Canção do Exílio

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.



Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas tem mais flores,

Nossos bosques tem mais vida,

Nossa vida mais amores.



Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o sabiá.



Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar – sozinho, à noite -

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.



Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu’inda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

FONTE: http://pt.shvoong.com/humanities/1764583-an%C3%A1lise-soneto-amor-%C3%A9-fogo/
acesso 06/03/2012